Sempre que vemos alguém famoso em alguma revista, provavelmente, pensamos: será
que deram o famoso "retoque" de Photoshop nessa foto? Mas, convenhamos: sabemos
que a maioria delas foi alterada. Porém, Hany Farid, especialista forense em
imagens e Eric Kee, estudante de doutorado, prometem esclarecer essas questões,
já que criaram um sistema que identifica se a foto tem ou não alterações
digitais.
A novidade é um modelo computadorizado que foi desenvolvido
após a análise de cerca de 460 conjuntos de fotos, originais e retocadas. Assim,
foi criada uma medida matemática formal das alterações, que possui escala de 1 a
5, onde 5 significa "retoque pesado".
Para verificarem se o modelo
realmente funciona, convidaram 50 pessoas do serviço de terceirização Mechanical Turk, da
Amazon, para avaliar as fotos originais e alteradas. Segundo Farid, os
resultados das pessoas e do modelo computadorizado ficaram próximos, revelando
que o modelo realmente funciona.
Farid e Kee começaram o desenvolvimento
do projeto após a Inglaterra anunciar que planeja rotular todas as propagandas
que possuírem fotos alteradas: "As fotografias serão rotuladas como alteradas ou
não. Mas há uma variação interessante: qual o tamanho dessa alteração? Foi isso
que nos levou a pensar no projeto", diz Farid, em entrevista para o site da Wired.
"Agora temos uma medida matemática de retoques
fotográficos. Podemos prever o que um observador médio diria", comenta o
especialista. Para ele, o uso do retoque está aumentando, já que se olharmos
"para as fotos de revistas de 10 anos atrás, perceberemos uma grande diferença.
E essa diferença está aumentando cada vez mais".
Vale lembrar que,
segundo os desenvolvedores, o modelo não determina precisamente um limite entre
o "apropriado" e o "inapropriado", em relação aos retoques digitais feitos nas
imagens.
"Esses julgamento cabe à sociedade", dizem.